»DIVULGANDO - Seja solidário: Ajude a ajudar quem ajuda.
"NO PRINCÍPIO ERA O SOL" Edium Editores .
Ao adquirir este livro está a contribuir com 10% do valor de capa para a AIPNE - ASSOCIAÇÃO PARA A INTEGRAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADE ESPECIAIS, Rua António Sérgio, n.º 1 A - Chasa – 2615-040 Alverca do Ribatejo, mail: aaipne@sapo.pt

© Todos estes textos estão registados na Inspecção Geral de Actividades Culturais (IGAC), Registo de Obras Literárias e Artísticas, Colectânea "Nomadismo d'Alma".
A autora não permite cópias totais ou parciais dos mesmos em blogs ou afins sem a sua autorização expressa.



Prefere ler prosa? Então venha comigo: . Noite.de.Mel (prosa)


Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
a um milímetro de ser vento

 

ermos os caminhos
e as lonjuras.
a embocadura do rio apelativa

por um fio

o  vislumbre
a obscuridade. jangada que rasga a crosta 
da pele, de  fina
     [a pele que quer ser, terra. terra lavrada]

amanheceu librina
infecunda

na tez macia
os  sulcos dum papel cartonado a 
gesso, a sal  e  chuva.  é disso feito
o barco
do desassossego

sem novidade, dirias.
acrescento então: e os fardos. carregos
de palha e pão a que a palavra, a tua, não ata o nó. 

um pé no laço e outro, num ponto pé-de-flor,  em frente.
no barco sem fundo o início e o fim
de toda a universalidade.

em tudo há recomeço.  atávica a vontade 
e a voz
da pele
do ventre.

ecoa-se, longínqua,  progénie forma:
dela, e de si, e da outra,
mulher-varina, mulher-campina, mulher-lezíria

na borda-d’água
balança o cais e a vaga. a um milímetro de ser vento,
fundeia.
     …. “Lisboa”
               cidade que a viu nascer.

 

***
Poema inédito, Lx. 2009 - Publicado também aqui

 Imagem da net, desconheço autor



Autor: Mel de Carvalho às 18:21
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
matemática

 

subtraio-me
ao gesto ao acto ao facto
e consagro-te
o que de superior retenho, intacto.

na soma dos dias que lentos
passam
encontro-me, altercada,
na fola no vento …
na vaga varrida dum mar sempre lato.

     sou-te.
          sou-te lastro.

 

**

Poema publicado inicialmente em Luso-Poemas, em 27/08/2008

imagem da net


tags: ,


Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
In memorian


hoje
caminho por dentro das palavras  
e as ancas cedem
serventia  
aos lodos, ao pântano turvo das musas e das linfas.

na boca do corpo
o corpo. do texto a que os eruditos decidiram,
chamar de
               poesia.

dou-lhe outro nome (ou outros) a meu ver bem mais apropriado(s):
revólver. nafta. diluente. fogo.
com que, ora incendeio,
ora apago, o raiar do dia, a madrugada  albina,
de cada letra que soletro

                              e me magoa
                              e me liberta

não, não sei se sou  parideira confessa, ou,
se sou  o embrião, o feto.
quiçá seja tudo
ou não passe de um  nado-morto
ou da placenta
inútil, rota,  
de um parto que desejando, inapta,  incompetente,
na forma e no movimento
gerei e não pari.

não sei se SOU, sequer,
porque hoje,
hoje
existo, por certo, mais órfão. de todos, até de mim:

                estrangulei a palavra.

não contente virei contra o meu vulto
revólver.
           disparei.
                          morri!

seca por dentro,  na ausência uterina de tal não ter
me acautelo de chorar alegrias e dores
de um qualquer puerpério
e,
sem que chegue a algum lado,  antes que,
no contraditório da jornada,
me reinvente,  em reiteração de sal e baba,

antes de chegar
                        parti… 

***



Poema Inédito, publicado também em Escritartes

Imagem da net, autor desconhecido




Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
finitude

tecias (in)finitos em tuas mãos
mas as redes estavam rotas e, para as concertar,
apenas agulhas quebradas;

sulcavas o mar sem fim,
e das velas vermelhas de teu barco
apenas sobravam fímbrias esfarrapadas p’lo vento.

como flores,
buscavas ‘inda cítaras em teus pulsos
mas o sangue há muito estava parado, coagulado
em sombras que bordavam a ponto grilhão
os atalhos rotos dos teus caminhos.

               caminhavas, contudo, de braço dado com o nada.

 

___

 

Poema Publicado em Luso-poemas em 10/10/2008

Autor do quadro: José Soares

 




Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
"ontem não te vi em Babilónia"


chegavas
com a dureza das limalhas cravadas ao olhar
e num braçado de papoilas e mil trigos
regurgitados no Abril dos cravos…

cúmplice,
deitavas a cabeça nas minhas coxas
enquanto soltavas asas de voar ...
depois,
sereno e plácido, fundias o teu beijo em meu beijar
e sonhavas o horizonte peneirado em minhas mãos …

“ontem não te vi em babilónia”

e, d’ ausências prenhe,
intempéries m’assalariam a alma -
desordens cáusticas, tempestades
e vontades de me enlaçar
deslaça
na laça tenra dos teus dedos
dos teus medos
a soldo de não seres soldado, eremita ou pária…

“ontem não te vi em babilónia”.
dos vidros pontiagudos
cresceram verticais as águas
na fúria repentina das palavras porfiadas -
destas
que me faltam
‘ora, se escrevo amor em escassez de verbo conseguido.

“ontem não te vi em babilónia”...
e d’ inexistências se esvaíram forças
nos ralos largos
de um tempo fragmentado...

[…desassossego-me. agito-me quebrantada.
sou soluço e pranto, louco rugido,
fúria da vaga,
e logo,
e agora,
e já,
não sendo nada, em detença aquosa, soletro-te e bramo-te ].

“ontem não te vi em babilónia”...,
sim, não duvides sequer, que estava lá. ontem como hoje e sempre
… espero por ti!




Texto publicado em Luso-poemas , em 29/09/2008

 

Imagem da net

(1) Título de livro de Lobo Antunes

 

 





Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
é outra a paisagem

 

é outra a paisagem
onde repousam os teus olhos
ao fim da tarde
e outra a vontade que escuta os murmúrios
do vento por entre
os caniçais.

olho esta
atenta
a compota descansa
sobre a mesa, ‘inda aberta,
a toalha em renda antiga
branca
a eira e o linho
em braçados d’anil
o jarro cheio
[o cheiro … o cheiro]
um palmo de água parada, inodora,
incolor
e o puro a transbordar dalgum lugar.

sento-me flor hipnotizada
seduzida em forma impura de mim própria
de sentidos alheios
em ondas largas, balanço a cadeira, os bolsos
cheios de sonhos
em utopia de cor turquesa
embalo-me no balanceamento
das searas líquidas e das ancas
(as tuas mãos aqui e o vento quente nos meus seios).
a ceifa
pendular a cabeça descai
na gota a escorrer
a face oculta
oiço os batuques
os sons provindos das tabicas
as tairocas varinas as saias rodadas
as saias de chita atadas por entre pernas
das campesinas.

é outra a paisagem

inclino-me lenta
por sobre a tua boca equina. sorvo-a gomo a gomo
numa bebedeira de dor
laranja pousada sobre a mesa
espada de espadachim
bebo-a na sede de ter sede de ti. e tu de mim…

amarelada,
na solidão tecida, a toalha chama a luz do sol e dança…

           é outra a paisagem
           em que t’afundas em lagoas de carne ausente.

***
 

                                    Publicado em Luso-poemas, 02/05/2008
                                                                          Foto: Ricardo Tavares

 




Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
de ti direi

de ti direi

anil. como água, lago, rio,  mar,  empíreo colossal. ou nada.

vaga-lume infinito onde o olhar em perda, se inquieta e amplifica.

infinitésimo instante

e queda abrupta

no limiar do gesto.

 

 

 

balada. de um homem só. solitária a tua

madrugada. degelo da calote polar. lágrima que bebes,

azulecido,  negrume de branca lua

na orla da madrugada.

 

 

 

de ti direi

voar.

voarás que eu sei, tão-só, no voo estéril,

nas palavras igualmente infecundas, que se colam, por dizer,

no céu de tua boca.

 [as mulheres da praia, insistem: sou louca... porventura estarão certas...]

 

de ti direi, um ponto final que cai na ponta acutilante desta frase

 

 e doutras,

paráfrases que, sendo minhas, já não decifro.

 

***

imagem da net, desconheço autor

 




Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
Não canto nada que não seja ...

Não canto nada que não seja
o amor
num poema diferente de cor rosácea e branco
- candura sitiada entre
a voz da terra se que escorre ambiciosa
no veio escuro do tempo
e a garganta onde
o grito
se solta ávido
e revolto
se grito a profeta fome
das mulheres que habitam setas na carne do teu peito
e se aninham fêmeas a medo e a custo
sem toque outro que não seja
d’arpas
d’alaúdes
d’liras
no delírio confesso
de serem elas próprias
todos os instrumentos
acordes finos
senão gemidos, de violoncelos,
de violinos.

Não, não canto mais que não seja a dor,
o desencanto
o abandono
e a eterna
busca do pigmento da tinta
que imagino exista
na alma espalmada do ser autista
o espaço vazio entre o arco e o alvo
o dardo que espeta o músculo uterino
de um corpo.

Do amor
canto o poema contínuo o plano sem tino
o sangue sangrando
velas pandas por dentro de si:
o esquecimento
o coral distante distinto
no mergulho insano
na apneia em espanto…

Espanto-me e
imagino um poema como uma árvore
um baloiço de ramos
um fruto supremo
suspenso
maturo
macio
suculento
e um chão por baixo rectilíneo, plano,
calafetado a seda verde no verde das folhas
e quente, na febre dolente das vagens
na fúria das águas
antes
e, de novo e sempre, sem anúncio prévio as chuvas chegam
em bátegas profundas em quedas maiores
e retalham os riscos
e molham os gritos
onde escrevi
amor.

Não, não canto nada que não seja rastros
de mim e de bichos, de insectos alados, de flores e de rosas
e mariposas,
lacraus famintos e ínfimas formigas
polvilhados em luz
em baba
em lúmen
rastilhos na noite de vaga-lumes
num jogo d’enredos de boca saliva e língua.

                             E cantando ouso viver.

---
Lx, Abril de 2008  (entre achados e perdidos..., volto a colocar)




Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
milho-rei

100 000 visitas a este espaço.

Obrigada ... 

no contador: póquer desde Fev. de 2007

(Tela: Claude Monet)

***

 

 

o olhar fortuito medeia o lago
em que albípedes não dançam já.
 

sem sentido
o parque ressoa no eco do silêncio.

as folhas caiem, prenúncio de um Outono
que, ágil, se aproxima.

o espelho em que me vejo, parte-se.
fragmenta-se em mil pedaços.

              “nada se perde (…) , tudo se transforma”

subjaz_em
formas lacrimais - bagos, uvas doces
suspensas em cachos
                        e os sabores
vitivinícolas do sangue- mosto.

inebriada ’inda
tropeço em cuspos soltos p'las frestas de dentes.

hipotecadas quimeras.
ou
palavras ocas? não sei...

tudo não mais que  ilusões. iludo-me quando te digo
que gostava de ser profícua,
de te falar de luz,
da claridade noctívaga,
da lua,
do luar cristalino desse Agosto
e, inda, qual Shehrazade, tombar
ombreando teu colo,

no cavalgar teu dorso,
por mil consecutivas noites
e mais uma -  daquela em que segui teus passos
fugidos da eira em desfolhada.

as moçoilas, do que me lembro, teciam loas ao milho-rei…

gostava, sabes?
mas apenas penso que ensandeci  vermelha
no rubro com que me repintei, saudade.
                                                                    nada, mas nada mais!
 

 

Publicado em Escritartes

___***___




Sábado, 3 de Outubro de 2009
a palavra, profícua...

desenho daqui

como um rio

as tuas mãos nas minhas

margens. a palavra, profícua,

passa

de mãos dadas, na avenida…

ou jorra

aluvião fecundo

sobre restolhos da Lezíria.

uma bandeira, um estandarte.

flume. abundante. o teu e o meu mundo.

 

não importa se fim ou início de jornada.

se partes ou fico;

se, tal como tu, sou

tudo ou um “quase nada”.

por dentro da multidão abestada,

 

resistes. resisto.

 

tempo haverá que exaurida, grito:

-até já, até sempre, companheiro, camarada.

 

por hoje, não ainda …

***

 

  

___ E caminhamos, juntos, para as 100 000 visitas a este espaço.

Obrigada ... 

no contador: póquer desde Fev. de 2007



Autor: Mel de Carvalho às 16:22
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Último presente ....

 

Haverá um dia
em que as minhas mãos vazias se enfeitarão
do pó das estrelas cadentes...

Haverá um dia, amado,
em que as minhas mãos urgentes
pararão prostradas sobre os meus seios,
          sobre os meus sonhos ...
numa finita cadeia de enleios.

Que dos meus dentes cerrados
não sairão cânticos, salmos ou palavras
e, do meu corpo enregelado e morto, apenas
pássaros de fumo subirão em torrentes as tuas lágrimas.

Nesse dia, amado...
nesse dia, nessa hora última e derradeira,
olha a minha pele exígua e trigueira,
olha o talhe recto do meu corpo
e acredita que dentro dele, num qualquer lugar,
viveu uma alma em entrega e dádiva,
bateu um coração, inteiro,
correu sangue, suor e sal
de uma mulher que se perdeu de si,
em desamor, em evasão ...
             em desalento.

... haverá um dia, amado ...

Haverá um tempo,
em que as minhas mãos vazias se enfeitarão
do pó das estrelas cadentes e,
esse será para ti, o meu último presente...

 

***

 

in "No Princípio era o Sol", pgs 109 e seg. (da autora)

Imagem daqui




Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
na hora em que os lobos sobem

na hora em que os lobos sobem
debruço-me sobre a aspereza das folhas tenras

olho-as.  vejo-as varejar a incerteza
[e eu, aqui…
           tão hirta, tão recta, tão certa, tão plena… dizem.]

chicoteiam-me em desdita, desenfreadas.
de tão belas
de tão tão mudas, tão estridentes de caladas …
            [sim, sei dos lábios e das palavras.
… e da ausência delas … ]

na hora do lobo, a lua admoesta a besta que me habita:
- cala-te! não passas de decorativa buganvília. 

e a outra,  em seiva e flor, a vagem tenra,
vareja, insana,

no corpo
no verbo
na alma

iminente a queda. no vértice, vertigem de palavra.

e, sabendo,  ‘inda mais alto, se eleva e grita.
     grita,
           grita… 

“fazes-me falta…”

___

 

Tela: Andrzej MALINOWSKI




Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
não sinto saudades

 

não sinto saudades
que as não sei sentir
(se te dissesse que as sofro, fingiria)

no cais onde t’aguardo desnuda de vestes
outras que não aquelas que me deste
um dia
rouca
e já muda
de gritar teu nome
olho a vastidão do mar e sinto
que não partiste
se nunca sequer aqui estiveste

abismo-me
balanço-me embrulhada
ao ritmo cadenciado do verbo
revisito-te humildemente
bebo o sal salgado da concha da tua mão
bebo-te, biblioteca d’alexandria

descalça
desfolho lentamente cada vaga
cada asa aberta
de cada ave que desaparece e fica
em mim

navego-te, amado,
neste barco de papel
e nele serei de ontem à eternidade
somente
tua

e o tempo sem tempo
passa
fundo
profundo
por dentro de si.

Lx: 06/V/2008

 

___
Publicado em
Luso-poemas ; Foto daqui 




Terça-feira, 8 de Setembro de 2009
caudilho
 
“seja senhor de sua vontade e escravo da sua consciência.” aristóteles
 


deixa que amadureçam
dos dedos os gestos
e das giestas
a flor
    da bonina.

deixa
que a água seque em meu olhar
                      e o sal não cegue…
que a lágrima seja pérola
em ostra.

depois vem.
recolhe-a.
bebe
dos meus lábios tempestades dulcíssimas de saliva,
enlaça a língua, por dentro de minha boca.
trespassa-a
por  tua língua: - mais não sou que lezíria ampla
que s’oculta p’la caverna marfinítica…
                     [busca, busca do beijo a constante maravilha… ]

e, cal caudilho1, reúne,  um a um,
de mim, ínfima formiga, o labor dos gestos e giestas
               -  plantio, urdidura e milícia  dos insectos…

                              nada prometo
                              a não ser

                                                o infinito.
___

1)caudilho (em espanhol, caudillo) alude a um líder político-militar, carismático, que regra geral chefia tropas.

                         Poema inédito,
  Imagem daqui




Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
Há sombras por acender

Há sombras por acender na noite da distância
em que os brilhos esmoreceram
nos risos duma criança.

Há trilhos que nos retalham nas muralhas do prazer
quando as palavras se imprecisam
num gesto por ocorrer.

Dos vagidos sobreagudos das estranhas,
há o sibilar d’escamas a ecoar nos seios hirtos
dos sopés das montanhas ...

Há estrupícios cravados na boca de uma guitarra
se, silêncios desmedidos, cortam num só golpe,
hastes em derrocada e sacodem sem pudor,
perplexos passarinhos do agasalho dos ninhos.

Na noite aquartelada em espumas de maré brava,
amado, morro eu e morres tu,
se, num rumo sem sentido,
no revolver de asas pesadas,
nas garras estiradas p’ra além do Cabo,
não se vislumbra acendalha,
e os homens são tão só barcos desguarnecidos
de cascos fundeados em batalhas de vidro.

Houveram sonhos... persistem feridas.

… há a bruma
que se desprende das ilhargas da vida
na alma que se eleva solta numa gaivota perdida.
---
in Luso-poemas

Data 06/10/2007; Imagem  Ava Gardner




Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009
estranha forma

em que espelho
se desbaratou a minha imagem
o azul do céu
o mar salgado
a maré rasa e a bonança?

na areia, da areia
resta
a cor. a traça.  o risco…

arrisco e jogo emouquecida o  jogo póquer da vida.

em mutismo
desfaço vagarosamente a trança.
solta-se longo
o fogo, o fogo-fátuo. desliza a pele em brasa.
no sol de Agosto.

antídota
trucido o azul do verbo. ímpio o aparo
contra
o papel.  permanente a tinta.
indelével o nome. sempre.
esfarelo-o!
desgasto-o entre falanges e dedos.
sangro. a ganga pinga a pedra áspera
o tanque vasto
o tanque antigo
alaga-se
na cor que fui em tons menores:
cerúleos, brancos,  baços, raspada na ponta pontiaguda da faca..

a espuma sobe o mar. o olhar. acinza-se
a barrela
a água escalda… escalfa e, contudo,
a cobro de inusitado resplendor perdura a mancha…
amarelada, melancólica, melanina  
“melanonis  cólis”. a pele de cobra. entérica…
   visceral. interna.

em nutação meneio a cabeça já acéfala.
vertiginosa
embrulho-me no ventre onde te pari
poema. e não sinto. já não te sinto.

um gato
um gato preto sobe lépido o  poial.  
na corrida astuciosa contra o tempo
na corrida  arguta
resvala cego
contra o cristal da jarra. da Baviera. raro.
contra a rosa
contra o espargo fino
contra a forma. perdida. definitivamente

a folha
a água … o tema.
   
é sempre de ti que falo
      em cada linha metafórica de poema…

--


Poema inédito. Lx. 26/VIII/2009, publicado também em Escritartes

Imagem da net, desconheço autor




»Aqui, na noite, navegam:
online ___ póquer
casino online desde Fev. de 2007
»"Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós, e que embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado."(Goethe) *

»Breve sinopse bio-bibliográfica

Maria Amélia de Carvalho Luís (Mel de Carvalho) nasce em Portugal, Lisboa, a 23 de Janeiro de 1961.
Licenciada em Sociologia do Trabalho pela Universidade Técnica de Lisboa em 2007 inicia Doutoramento na Universidade Nova de Lisboa em Ciências da Educação.
A par da actividade profissional na área social e educativa, publica pela primeira vez os seus trabalhos (da poesia aos contos…) na Internet em 2006.
Em 2007 dá à estampa o seu 1º livro, "Sibilam Pedras na Encosta", Corpos Editora. Em 2008 lança o seu 2º livro, "No Princípio era o Sol", Edium Editores
Do seu curriculum literário fazem parte várias participações em Colectâneas/Antologias, nomeadamente:
- Antologia de Poesia e Prosa Poética Portuguesa Contemporânea, Vol. XVI, "Poiesis", Ed. Minerva, 2008;
- Antologia Escritores Brasileiros - e Autores de países em Língua Portuguesa , 8ª Edição, 2008;
- Antologia Escritartes, 2008;
- Antologia Luso-Poema, 2008;
- II Antologia de Poetas Lusófonos, 2009.
- Antologia "Quem acrescenta um ponto ....", 2009
Para além dos seus blogs, colabora com diversos sites de escrita, jornais e revistas
»A música que toca no blog: amélie poulain " Sur le fil"
»Posts recentes

» a um milímetro de ser ven...

» matemática

» In memorian

» finitude

» "ontem não te vi em Babil...

» é outra a paisagem

» de ti direi

» Não canto nada que não se...

» milho-rei

» a palavra, profícua...

» Último presente ....

» na hora em que os lobos s...

» não sinto saudades

» caudilho

» Há sombras por acender

» estranha forma

» crepúsculo

» Em chuva brava e tímidos ...

» Na hora última

» Ainda que as tuas mãos nu...

» Gemido de Violino

» Talvez existam

» Lezíria aberta

» Dança

» Cansada, constato

» onde me levou o espanto

» apóstolos

» era branca a palavra

» és!

» rubro

» Todas as madrugadas desce...

» rente à curva onde a pedr...

» Trovas de Maio

» Não guardo rebanhos ...

» Seduzida na retina de teu...

» sou, serei...

» é da noite

» não te demitas

» tambores na noite

» devolvo-me

» autistas ...

» química(s)

» II Antologia de Poetas Lu...

» Talvez um beijo

» Aqui

» urge acontecer

» Nunca entendi...

» coreografia dos gestos

» hipérbata

» não somos só

»noites passadas

» Novembro 2009

» Outubro 2009

» Setembro 2009

» Agosto 2009

» Julho 2009

» Junho 2009

» Maio 2009

» Abril 2009

» Março 2009

» Fevereiro 2009

» Janeiro 2009

» Dezembro 2008

» Novembro 2008

» Outubro 2008

» Setembro 2008

» Agosto 2008

» Julho 2008

» Junho 2008

» Maio 2008

» Abril 2008

» Março 2008

» Fevereiro 2008

» Janeiro 2008

» Dezembro 2007

» Novembro 2007

» Outubro 2007

» Setembro 2007

» Agosto 2007

» Julho 2007

» Junho 2007

» Maio 2007

» Abril 2007

» Março 2007

» Fevereiro 2007

» Janeiro 2007

» Dezembro 2006

» Novembro 2006

» Outubro 2006

» Agosto 2006

»Links
»Blogs que referem este blog
____
Web Pages referring to this page
Link to this page and get a link back!
»Publico em (escrita, fotografia)
Buffering...

Luso-Poemas - Poemas de amor, cartas e pensamentos.

»Autora: Maria Amélia de Carvalho (Mel)
»As minhas fotos
»mais comentados
»pesquisar neste blog
 
»Novembro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
11
12
14

15
16
17
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


»subscrever feeds
»Visitas recentes
free web page
counters